Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.
Manoel de Barros

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Para pensar os papéis tradicionais de gênero

Acorda Raimundo, acorda!


parte 1
Este filme, produzido pelo Ibase com o apoio da CESE, tem servido muito como motivador de debates em círculos de discussões de movimentos feministas. Trata de uma inversão de papeis tradicionais na sociedade, com objetivo de dar ênfase ao cotidiano de milhões de mulheres que vivem sob o machismo e a violência. Dirigido por Alfredo Alves, conta em seu elenco com Eliane Giardini, Zezé Mota, Paulo Betti e José Mayer.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Gays são caçados nas favelas do Rio pelo tráfico e pela milícia

Violência afeta ao menos um homossexual por dia nas comunidades. No País, um morre a cada 2 dias

POR MAHOMED SAIGG, RIO DE JANEIRO

Rio - Eles não cometeram nenhum crime. Mas a decisão de assumir a homossexualidade bastou para que fossem condenados. Moradores de favelas da cidade do Rio e da Baixada Fluminense, gays, lésbicas, travestis e transgêneros vêm sendo caçados por traficantes e milicianos nas comunidades onde moram. Espancados e humilhados em público, muitos acabam assassinados. Outros, com um pouco mais de sorte, são ‘apenas’ expulsos das favelas — após sessões de tortura.

Arte O Dia

Levantamento da ONG Conexão G, com sede no Complexo da Maré, revela que todos os dias pelo menos um homossexual é agredido nas comunidades carentes cariocas. E a violência provocada pelo preconceito não para de crescer. Pesquisa feita pelo Grupo Gay da Bahia — referência na luta contra a homofobia no Brasil desde 1980 — mostra que o número de assassinatos de homossexuais cresceu 55% no País entre 2007 e 2008, quando foram identificados 190 casos, média de mais de um a cada dois dias. Doze deles no Rio.

PAÍS MAIS HOMOFÓBICO DO MUNDO

Com um homossexual assassinado a cada dois dias, o Brasil passou a ser considerado o País mais homofóbico do mundo, seguido por México, que registrou 35 casos ano passado, e Estados Unidos, com 25.

Presidente do Grupo Conexão G, Gilmar Santos alerta que este número pode ser ainda maior. “A opressão contra os homossexuais nas favelas vem aumentando a cada dia. Nas pesquisas de campo a gente descobre que a maioria dos casos não é registrada. E, mesmo quando as vítimas resolvem procurar a polícia, muitos preferem não revelar sua orientação sexual por temer mais violência”, explica.

Ex-moradora da Zona Sul, a jovem Patrícia, 24 anos, viu de perto os horrores vividos pelos homossexuais nas favelas do Rio. Depois de se assumir como lésbica, ela se mudou para o Morro da Providência, no Centro, onde morou por oito meses com a namorada. “Além de bater nos gays e travestis, os bandidos ficam ameaçando estuprar as lésbicas. Fazem um terror psicológico insuportável”, conta. “Quando descobrem uma lésbica no morro, dizem que a garota só se tornou homossexual porque não conheceu homens de verdade. E que darão ‘um jeito’. É por isso que hoje muitas meninas agem como se fossem mulheres quando estão no morro e só assumem sua orientação quando saem de lá”, completa.

Na Favela do Timbau, na Maré, a homofobia também vem marcando a vida dos homossexuais. Nascido e criado na comunidade, o travesti Marcela Soares, 40 anos, conta que já perdeu muitas amigas torturadas e assassinadas só por serem homo.

“Isso já está se tornando comum nas favelas. E a gente não pode fazer nada senão morre também”, lamenta Marcela, que admite sofrer com o preconceito. “A gente se sente humilhada, afinal também somos humanos como os heterossexuais e exigimos respeito”, desabafa Marcela, que é formada em Moda.

‘Matar homossexual virou diversão’

A violência contra homossexuais nas favelas do Rio vem chamando a atenção de militantes do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) e pesquisadores de todo o Brasil. O presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, ameaça denunciar o governo brasileiro à Organização das Nações Unidas e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos.

“Bater e matar homossexual já virou entretenimento popular nas favelas. Mas não vamos ficar assistindo a esse ‘homocausto’ (holocausto de homossexuais) de braços cruzados. Já que não temos força política para brigar por nossos direitos, esta é uma maneira de tentar nos proteger dessa violência”, explica Marcelo.

Coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, a psicóloga Sílvia Ramos afirma que ainda existem poucos estudos sobre homofobia nas favelas. Mas reconhece: “Ser homossexual numa favela é muito mais perigoso do que num bairro de classe média”. “É natural que a violência seja mais grave em territórios dominados por grupos armados. Mas, o que mais me surpreende, é ver que o Brasil, que está cotado para ser a capital gay do mundo, tem tanto preconceito! É uma incoerência!”.

Em 2004, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, ligada ao governo federal, lançou o Programa Brasil Sem Homofobia. Ele inclui ações voltadas à promoção da cidadania e ao fortalecimento da defesa dos direitos humanos dos gays.

Professor escapa por pouco de incêndio criminoso

A violência contra os homossexuais não é ‘privilégio’ das favelas dominadas pelo tráfico. Nas áreas controladas com mão de ferro pela milícia, o preconceito e a intolerância sexual também mostram a sua força. Em Nova Iguaçu, por exemplo, a caça aos gays, lésbicas e travestis pode chegar a extremos.

Morador da Vila de Cava, no subúrbio da cidade, o professor Carlos (nome fictício), 26 anos, foi vítima de vizinhos que incendiaram sua casa. Segundo ele, o atentado, no fim de 2007, foi motivado pela rejeição ao fato de ser gay.

“Estava dormindo e acordei com a casa em chamas. O fogo já estava por toda parte e, por sorte, consegui quebrar a janela do quarto, por onde saí. Na rua havia várias pessoas que, mesmo com meus pedidos de ajuda, permaneceram de braços cruzados. Alguns até dizendo que ‘veado’ tinha que morrer mesmo”, conta Carlos, que perdeu tudo no incêndio.

Próximo dali, em Mesquita, também na Baixada Fluminense, é igualmente comum encontrar vítimas da homofobia. Lésbica, a comerciante Jucyara Albuquerque, 44 anos, é mais uma que sofreu com o preconceito. Homossexual assumida desde os 16 anos, Jucyara afirma que tem um longo histórico de agressões.

“Já sofri muito por causa da minha orientação sexual. Certa vez cheguei a ser espancada por dois homens que me agrediram enquanto eu trabalhava. Eles simplesmente chegaram, começaram a me xingar porque souberam que eu era lésbica e partiram para cima de mim. Fiquei com o corpo todo machucado”, lembra ela.

fonte: http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2009/9/gays_sao_cacados_nas_favelas_do_rio_pelo_trafico_e_pela_milicia_33514.html

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Com Lei Maria da Penha, cresce divulgação dos direitos da mulher no País

BRASÍLIA - O terceiro aniversário da implementação da lei 11.340/06, conhecida como Maria da Penha, apresenta um aumento no conhecimento das mulheres em relação aos seus direitos de defesa contra a violência doméstica.
Maria da Penha, que deu seu nome e sua história de luta e sobrevivência à lei

A avaliação é do Coordenador Central de Atendimento à Mulher Ligue 180, Pedro Ferreira. A entidade fez um levantamento, avaliando o primeiro semestre dos anos de 2007, 2008 e 2009. Neste período, os atendimentos só aumentaram: 58.412; 122.222 e 161.774, respectivamente.

“É importante frisar que o aumento nos atendimentos não significa um aumento da violência e, sim do registro, da busca por ajuda”, analisa Ferreira.

O coordenador do central afirma que o “Ligue 180” não é um disque-denúncia, “mas um serviço gratuito que funciona 24h, por telefone, em todo País, orientando as vítimas de violência sobre onde procurar ajuda e o que fazer”.

O balanço do serviço identificou que a maioria dos atendimentos foi feita na região Sudeste, equivalente a 57% do total, com mulheres entre 20 e 40 anos (56%), na maior parte negra (43% - o que incluem aquelas que se identificam como da cor preta (9%) e parda (34%)); e com nível de escolaridade que inclui até o ensino médio completo (25%).

Para a Coordenadora Nacional do Comitê Multipartidário de Mulheres, Muna Zeyn, a lei contribui para romper a invisibilidade da violência doméstica. “Há um entendimento de que isso é uma coisa de casal. O ditado popular, ‘briga de marido e mulher ninguém mete a colher’, acabou com a lei. O jovem já conhece a lei”, afirma.

Muna Zeyn defende ainda que uma contribuição para tratar do problema poderia ser a ampliação do número de delegacias da mulher com atendimento 24h. “Em São Paulo, por exemplo, só temos uma. E a maioria dos casos acontece à noite”.

Há muitos anos militando na defesa da mulher, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) acredita que a sociedade, como um todo, ainda é muito machista e precisa se reeducar. “Há muito o que fazer. Há casos de juízes, como um de Minas Gerais, que negou o direito da vítima e defendeu o agressor”, lembra.

Maria da Penha

O nome "Maria da Penha" é uma homenagem à Maria da Penha Fernandes, que ficou paraplégica, e sobreviveu a duas tentativas de homicídio do ex-marido. Ela se engajou na busca pela punição e direitos da mulher, cuja pena do agressor dela só foi dada quase vinte anos depois dos maus-tratos que recebeu.

A violência doméstica era tratada antes da lei como crime menor e julgada em juizados especiais. Com a nova legislação, a pena máxima por agressão pode chegar a três anos de prisão.
fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/08/07/com+lei+maria+da+penha+cresce+divulgacao+dos+direitos+da+mulher+no+pais+7752916.html

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um filme para pensar sobre os estereótipos de gênero, a identidade sexual e a masculinidade


Este é um filme interessante.
Despretensioso, ele toca em questões importantes para as famílias gays
em sua relação com o cuidado e a criação de crianças, biológicas ou não. Prestem atenção na divisão do trabalho doméstico, no esforço
para manter a homossexualidade no 'armário' e na repressão a
formas diferentes de masculinidade,
bom filme!

Eric (Tom Cavanagh) vive para o hóquei. Agora na faixa dos trinta, ele deixou sua carreira de jogador profissional para se tornar comentarista de esportes na TV. É uma vida de sonho! Mas quando o namorado de Eric, Sam (Ben Shenkman), avisa que eles terão que cuidar temporariamente de um menino, o confortável mundo de Eric desmonta. Chega Scot (Noah Bernett), recém-órfão, um menino efeminado de 11 anos e o oposto exato de Eric. Assustados com a alegria de viver de Scot, Eric e Sam gentilmente afastam Scot dos perfumados cremes para mãos e de tudo o que for cor-de-rosa, buscando um passatempo mais "aceitável": o hóquei. Mas após o primeiro e desastroso jogo de Scot, Eric começa a repensar as concessões que fez em sua própria vida, para poder ser "aceito".

defendemos o Estado Laico e a liberdade religiosa

Embora o texto do Acordo entre a Santa Sé e o Estado brasileiro acerca do estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil tenha sido aprovado pelos deputados na Câmara Federal no dia 26 de agosto, o texto ainda precisa passar pelo Senado. O Projeto de Decreto Legislativo (PDL 1736/2009) estabelece normas sobre o ensino religioso, o casamento, a imunidade tributária para as entidades eclesiásticas, a prestação de assistência espiritual em presídios e hospitais, a garantia do sigilo de ofício dos sacerdotes e visto para estrangeiros que venham ao Brasil realizar atividade pastoral. Na mesma sessão, o plenário também aprovou o projeto de lei (PL 5598/09), de autoria do deputado George Hilton (PP-MG e membro da IURD), propondo uma "Lei Geral das Religiões" através da regulamentação do direito constitucional de livre exercício de crença e cultos religiosos. No dia 04 de setembro, às 15h, o Instituto de Estudos da Religião (ISER) abrirá as portas de sua sede (Rua do Russel, 76 - 3o andar - Gloria - Rio de Janeiro - tel 21 2555-3782) para discutir o conteúdo e as conseqüências dessas duas proposições legislativas.

Por sua vez, a Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR/Cebrap) está promovendo uma Campanha na intenção de que o Senado rejeite o Projeto de Decreto Legislativo 1736/2009.


Clique aqui para participar da campanha e se manifestar contra a aprovação da concordata pelo Senado

Clique aqui para ver o texto do Acordo:

Clique aqui para ver o texto do PL 5598/09, que propõe a regulamentação do direito constitucional de livre exercício de crença e cultos religiosos

Veja o debate no jornal Folha de São Paulo

O Congresso deve ratificar o acordo assinado entre o governo brasileiro e o Vaticano? NÃO – LUIZ ANTÔNIO CUNHA

O Congresso deve ratificar o acordo assinado entre o governo brasileiro e o Vaticano? SIM – BONIFÁCIO DE ANDRADA

fonte: http://www.clam.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=_BR&infoid=5808&sid=7

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Beirut - Elephant Gun, para Tassiana



saiba mais: http://www.myspace.com/beruit
http://www.coquetelmolotov.com.br/blog/

29 de Agosto, dia da visibilidade lésbica. Manifeste-se contra toda forma de exclusão!


A orientação sexual não é uma escolha. Campanha italiana contra o preconceito e a discriminação

E-Campanhas ABGLT

Como uma estratégia de promoção da cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) e também visando oferecer a você uma forma de exigir igualdade e respeito, a ABGLT criou a E-Campanha Cidadania LGBT.

Com um simples clique, você poderá manifestar sua opinião acerca de assuntos importantes para a construção de um Brasil que respeite lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

A ABGLT também está desenvolvendo o Projeto Aliadas, que tem por objetivo a aprovação de leis favoráveis a LGBT pelo Congresso Nacional. Sabia mais: www.abglt.org.br/aliadas.
Venha conosco nessa corrente por uma sociedade igualitária, com menos preconceito e discriminação.
Participe da campanha promovida pelo Grupo Arco-Íris, manifestando-se a favor da criminalização da discriminação homofóbica.

Clique no banner e acrescente seu nome ao abaixo-assinado.

fonte: http://www.abglt.org.br/port/ecampanhas.php

sábado, 29 de agosto de 2009


Olá queridos/as, eu estava buscando o livro Olhares Feministas, da Coleção Educação para todos. MEC/SECAD e vejam o que encontrei! desfrutem, divulguem e leiam, é só clicar no título e baixar todos estes livros!!

dibujos de Liniers: antonieta, felino y sus libros.

Coleção Educação Para Todos
volume 01: Educação de Jovens e Adultos: uma memória contemporânea
Volume 02: Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal nº 10.639/03
volume 03: Construção Coletiva: contribuições à educação de jovens e adultos
volume 04: Educação Popular na América Latina: diálogos e perspectivas
volume 05: Ações Afirmativas e Combate ao Racismo nas Américas
volume 06: História da Educação do Negro e Outras Histórias
volume 07: Educação como Exercício de Diversidade
volume 08: Formação de Professores Indígenas: repensando trajetórias
volume 09: Dimensões da Inclusão no Ensino Médio: mercado de trabalho, religiosidade e educação quilombola
volume 17: Católicos Radicais no Brasil
volume 10: Olhares Feministas
volume 11: Trajetória e Políticas para o Ensino das Artes no Brasil: anais da XV CONFAEB
volume 12: Série Vias dos Saberes nº1: O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje
volume 13: Série Vias dos Saberes nº2: A Presença Indígena na Formação do Brasil
volume 14: Série Vias dos Saberes nº3: Povos Indígenas a Lei dos "Brancos": o direito à diferença
volume 15: Série Vias dos Saberes nº4: Manual de Lingüística: subsídios para a formação de professores indígenas na área de linguagem
volume 16: Juventude e Contemporaneidade
volume 17: Católicos Radicais no Brasil
volume 18: Série Avaliação nº1: Brasil Alfabetizado: caminhos da avaliação
volume 19: Série Avaliação nº2: Brasil Alfabetizado: a experiência de campo de 2004
volume 20: Série Avaliação nº3: Brasil Alfabetizado: marco referencial para avaliação cognitiva
volume 21: Série Avaliação nº4: Brasil Alfabetizado: como entrevistamos em 2006
volume 22: Série Avaliação nº5: Brasil Alfabetizado: experiências de avaliação dos parceiros
volume 23: Série Avaliação nº6: O que Fazem as Escolas que Dizem que Fazem Educação Ambiental?
volume 24: Série Avaliação nº7: Diversidade na Educação: experiências de formação continuada de professores
volume 25: Série Avaliação nº8: Diversidade na Educação: Como indicar as diferenças?
volume 26: Pensar o Ambiente: bases filosóficas para a educação ambiental
volume 27: Juventudes: outros olhares sobre a diversidade
volume 28: Educação na Diversidade: experiências e desafios na educação intercultural bilíngüe
volume 29: O Programa Diversidade na Universidade e a Construção de uma Política Educacional Anti-racista
volume 30: Acesso e Permanência da População Negra no Ensino Superior
volume 31: Escola que Protege: enfrentando a violência contra crianças e adolescentes

fonte:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13529:colecao-educacao-para-todos&catid=194:secad-educacao-continuada

ou www.forumeja.org.br/colecaoparatodos

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Justiça de 9 Estados e do DF já reconhece união homossexual

Levantamento foi feito pela Folha nos Tribunais de Justiça de todo o país; não há legislação específica sobre o assunto
Decisões veem esse tipo de união como uma família; na maioria dos Estados, o casal é reconhecido como uma sociedade de fato


JOHANNA NUBLAT

LARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA da Folha Online, 22/08/2009.

Apesar de não existir oficialmente, a un
ião estável entre pessoas do mesmo sexo já foi reconhecida pela Justiça de nove Estados e do DF, segundo levantamento feito pela Folha nos Tribunais de Justiça.
Essas decisões veem a união de gays e de lésbicas como uma família, o que ainda é bastante controverso no país, pois não existe legislação específica.
Essa situação pode mudar após a aguardada manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a questão. O STF foi provocado a
se posicionar no ano passado, pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Ele entrou com ação pedindo que a união estável de pessoas do mesmo sexo tenha valor igual ao de uma união heterossexual.
Enquanto não há uma regra clara, fica a cargo de cada magistrado interpretar se a legislação permite ou não a união.
Na maioria dos Estados, a Justiça reconhece o casal gay como uma sociedade de fato- trata não como uma família, mas como um negócio. O movimento gay defende justamente que os casais tenham o status de família e, por isso, pressiona o Supremo e o Congresso Nacional a mudarem as regras.

A reportagem encontrou pelo menos uma sentença favorável em primeira ou segunda instância em São Paulo , Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás, Acre, Piauí, Mato Grosso e Alagoas.

Os demais Estados não têm decisões favoráveis ou declararam não ter registro de julgamentos nesse tipo de questão.
Advogados apontam que, na maioria dos casos, o reconhecimento da união é pedido quando o casal se separa ou um dos parceiros morre -para fins de partilha de bens ou de herança.
Um dos Estados pioneiros foi o Rio Grande do Sul, onde surgiu o termo "união homoafetiva" para designar a relação entre pessoas do mesmo sexo.
A desembargadora aposentada Maria Berenice Dias, que cunhou a expressão, critica a ausência de legislação. "Cada cabeça [de juiz], uma sentença, o que gera uma insegurança total." Segundo ela, isso só acontec
e por uma "atitude criminosa" dos parlamentares. "Se houvesse lei, não haveria essa controvérsia", rechaça.
Movimentos gays apontam omissão do Legislativo, que não trata do tema para não desagradar a setores conservadores e ligados a religiões.
O Espírito Santo é outro Estado com decisões favoráveis. O juiz Júlio César de Oliveira, da 3ª Vara de Família de Vitória, reconheceu duas uniões estáveis entre homens neste ano.

"Entendo quem vê que não é uma família. É uma situação nova e ainda há muita resistência, mas é uma realidade."
Apesar de abrigar boa parte da militância pelos direitos dos homossexuais, não há ainda decisão favorável a união estável na Justiça do Rio, segundo o desembargador Siro Darlan.
No Estado, só há casos em que o casal gay foi considerado sociedade de fato. De acordo com Darlan, em outros Estados a Justiça já vem se antecipando. "Foi assim com o concubinato. A jurisprudência sempre se antecipa à lei", avalia.

ilustração 1 - Mulheres, de Pedro Lucena. fonte:http://www.flickr.com/photos/pedrolucena/sets/72157605173595462/

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Percepções da Diferença: Negros e brancos na escola

A coleção Percepções da Diferença: Negros e brancos na escola é destinada a professores da educação infantil e do ensino fundamental. Seu intuito é discutir de maneira direta e com profundidade alguns temas que constituem verdadeiros dilemas para professores diante das discriminações sofridas por crianças negras de diferentes idades em seu cotidiano nas escolas.

Diferenciar é uma característica de todos os animais. Também é uma característica humana muito forte e muito importante entre as crianças, mesmo quando são bem pequenas, na idade em que freqüentam creches e pré-escolas e começam a conviver com outras observando que não são todas iguais.

Mas como lidar com o exercício humano de diferenciar sem que ele se torne discriminatório? O que fazer quando as crianças se dão conta da diferença entre a cor e a textura dos cabelos, os traços dos rostos, a cor da pele? Como evitar que esse processo se transforme em algo negativo e excludente? Como sugerir que as crianças brinquem com as diferenças no lugar de brigarem em função delas?

Os 10 volumes que compõem a coleção Percepções da Diferença chamam a atenção para momentos em que a diferenciação ocorre, quando se torna discriminatória, e sugerem formas para lidar com esses atos de modo a colaborar para que a auto-estima e o respeito entre crianças sejam construídos.

Os autores discutem conceitos e questionam preconceitos. Fazem sugestões de como explorar as diferenças de maneira positiva, por meio de brincadeiras e histórias, e de leituras que possam auxiliá-los a aprofundar a reflexão sobre os temas, caso desejem fazê-lo.

Para compor a coleção convidamos especialistas e educadores de diferentes áreas. Cada volume reflete o ponto de vista do autor ou da autora de modo a assegurar a diversidade de pensamentos e abordagens sobre os assuntos tratados.
Desejamos que a leitura seja prazerosa e instrutiva.

Gislene Santos
Todos os livros da coleção estão disponíveis para download no site da NEINB USP - http://www.usp.br/neinb/?q=node/9
Conheça os livros da coleção:
Percepções da diferença

Maternagem. Quando o bebê pede colo
“Moreninho, neguinho, pretinho”
Cabelo bom. Cabelo ruim.

Professora, não quero brincar com aquela negrinha!

Por que riem da África?


Tímidos ou indisciplinados?

Professora, existem santos negros? Histórias de identidade religiosa negra

Brincando e ouvindo histórias


Eles têm a cara preta!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

POR QUE OS HERÓIS NUNCA SÃO NEGROS?


Plano de aula -

Textos Relacionados - Educação
Fonte: Nova Escola -

Tema

Preconceito racial

Objetivo


Mostrar que existe um racismo velado no Brasil e que a imagem dos negros nos livros ainda é inferiorizada perante o branco. Aumentar a auto-estima dos alunos afro-descendentes, despertar a turma para a diversidade da raça humana e promover o respeito pelas diversas etnias.


Como chegar lá


Faça um levantamento dos heróis e heroínas conhecidos pelo grupo. Provavelmente os de cor branca serão maioria. Em seguida apresente personagens negras de livros e filmes (como o desenho animado Kiriku e a Feiticeira, disponível em fita VHS) e pessoas notórias que sejam representadas de maneira positiva. Discuta os motivos dessa diferença, peça pesquisas em jornais e revistas que comprovem a discriminação

Dica


Não chegue com discurso pronto sobre o racismo. Deixe os alunos concluírem que o preconceito e a discriminação existem, sim, no Brasil e que precisam ser combatidos. Ao falar da cultura africana e dos rituais, prepare-se para enfrentar o preconceito religioso


O povo negro é discriminado em todos os cantos do planeta onde os brancos são maioria. E a sua sala de aula, professor, será território neutro? Por mais que você se preocupe em tratar todos da mesma maneira, os negros continuam sendo discriminados. Quer ver como? Pense nos livros que a turma lê. Eles mostram famílias negras de classe média, felizes e bem-sucedidas? Têm príncipes, reis e rainhas que não sejam brancos? Você não acha isso um problema? Então imagine o que significa ser despertado para o prazer da leitura sem ver sua raça representada de forma positiva nas páginas dos livros.


"Lendas, contos da carochinha e mitologias ajudam as crianças a construir sua identidade. Num processo de transferência, os pequenos se colocam no lugar dos heróis e vivenciam as sensações dos personagens", explica Taicy de Ávila Figueiredo, pedagoga e professora de Educação Infantil em Brasília. Sentimento de inferioridade e auto-rejeição são as conseqüências mais comuns na auto-estima de quem não se reconhece nas histórias contadas na escola. "Todos querem ser aceitos por seu grupo, pela sociedade. Muitos alunos passam a se enxergar como brancos", explica Ana Célia Silva, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA).


Você deve estar se perguntando como fugir dessa questão, já que as histórias consagradas do mundo de faz-de-conta são européias. A sugestão é entrar no universo de lendas e histórias da África, do Oriente, dos índios... Veja como a professora Maria Cecília Pinto Silva, da Escola Municipal de Educação Fundamental General Esperidião Rosas, em São Paulo, conseguiu plantar uma semente contra o racismo em uma atividade interdisciplinar para as turmas da 4a série. O projeto ganhou o prêmio Educar para a Igualdade Racial, do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert).

Experiência prática
Diagnóstico/Objetivos


Após presenciar diversas atitudes racistas, a professora elaborou um projeto para despertar o respeito às diferenças. Pediu à classe que desenhasse os heróis preferidos, já prevendo o resultado. A maioria citou personagens brancas. Ela aproveitou os dados e ensinou, nas aulas de Matemática, como elaborar gráficos. Veja o resultado: 94% de personagens brancas, 4% de orientais e 2% de negras.

Problematização


Maria Cecília apresentou o herói Kiriku, do filme Kiriku e a Feiticeira. O desenho animado se passa na África e todas as personagens são negras. A turma assistiu ao filme, reescreveu a história e a sinopse e fez resenhas. Em seguida a professora pediu um exercício de comparação com os contos de fadas tradicionais e o levantamento das características desse gênero literário. Para começar, lançou a pergunta: por que não vemos personagens negras em outras histórias? Os alunos conseguiram se lembrar de algumas, como o Negrinho do Pastoreio, o Zumbi e Tia Nastácia. Qual a diferença entre eles e Kiriku? "Ele é um herói, professora", responderam. Bingo! A próxima atividade foi de leitura de livros cujas personagens principais são negras, como Luana, de Aroldo Macedo. Em seguida as crianças pesquisaram em jornais e revistas reportagens sobre racismo, enquanto Maria Cecília mostrava fotos e histórias de grandes ícones brasileiros negros, como o professor Milton Santos.


Desdobramentos


Em Ciências, foram estudadas diversas versões para a criação do mundo e a professora apresentou lendas africanas e indígenas. Nesse momento, um aluno muçulmano trouxe sua experiência e enriqueceu a discussão sobre pluralidade cultural (leia mais no quadro abaixo).

"Não quero desenhar nem ouvir falar em orixás", reclamaram alguns evangélicos na aula de Ciências de Maria Cecília. O preconceito religioso é outro desafio a ser enfrentado na escola. Algumas crianças não queriam participar dessa etapa do projeto. Durante essa difícil tarefa, o aluno Kaled Abidu El Carim Abou Nassif, libanês e muçulmano, pediu espaço para contar a versão da religião de Maomé para a criação do mundo. Como a cultura islâmica está em evidência, os colegas estavam cheios de perguntas. Depois dos orixás, anjos e Alá, os alunos conheceram histórias de Tupã e tiveram contato com as lendas indígenas. "Estão vendo? Não somos e não precisamos ser todos iguais", disse a professora, explicando que conhecer é muito diferente de convencer.

Matéria original: Diversidade em sala de aula

fonte: http://www.geledes.org.br/textos-relacionados-educacao/plano-de-aula-por-que-os-herois-nunca-sao-negros.html

sábado, 15 de agosto de 2009

Combatido nos discursos, o preconceito ainda está muito entranhado na sociedade e nas escolas brasileiras


REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 148
O fator mascarado


Filipe Jahn

Uma verdade que não se que enxergar: a escola também consagra preconceitos
Uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 501 escolas públicas do país, e divulgada em junho deste ano, revelou dados preocupantes sobre o preconceito no ambiente escolar brasileiro. Das 18,5 mil pessoas entrevistadas, entre alunos, professores, funcionários e pais, 99,3% demonstram algum tipo de preconceito - étnico-racial, socioeconômico, de gênero, geração, orientação sexual ou territorial ou em relação a pessoas com algum tipo de necessidade especial.

De acordo com a pesquisa, os tipos de preconceito que apresentaram maior abrangência são aqueles relacionados a pessoas com necessidades especiais (96,5%), seguido por diferenças étnico-raciais (94,2%), e aqueles relativos a diferenças de gênero (93,5%). Além disso, assim como o preconceito, percebeu-se entre todos os públicos-alvo da pesquisa uma predisposição em manter menor proximidade em relação a determinados grupos sociais, como homossexuais, pessoas com necessidades especiais de natureza mental e ciganos.

Cláudia Vianna, professora da Faculdade de Educação da USP que pesquisa as relações de gênero e sexualidade na educação, explica que o preconceito é uma disposição afetiva que pode ou não se transformar em um ato de discriminação. Só que, no Brasil, muitas vezes o preconceito não chega a ser explicitado, ou mesmo entendido como tal. Uma das razões para tanto está no estereótipo disseminado do brasileiro brincalhão. Ofensas sobre a cor de pele ou a orientação sexual, por exemplo, são entendidas apenas como traço típico de uma personalidade nacional. "Mas certamente existe", adverte Cláudia.

Neutralidade inexistente
Apesar de, em tese, a escola dever desempenhar um "papel neutro" no processo de transmissão de valores culturais - entenda-se por neutro o fato de não privilegiar nenhum credo, cultura ou procedência - e colaborar para a superação de preconceitos, na prática ela acaba sendo um fator de reforço daqueles já existentes. Isso porque os professores e autoridades escolares reproduzem, por meio de gestos, posturas e falas, sistemas de pensamento e atitudes que são excludentes. Ou seja, os educadores fazem eco, no ambiente escolar, às imagens negativas e estereótipos entre os quais muito provavelmente foram socializados.

Há, por exemplo, casos em que professores relacionam o rendimento escolar de alunas apenas ao esforço e ao bom comportamento, sem estimular a criatividade ou o potencial para certas matérias curriculares como matemática. "Essa baixa expectativa sobre o desempenho escolar de meninas claramente contém um padrão sexista", afirma Cláudia Vianna. O cientista social Paulo Neves conta que uma pesquisa de sua autoria verificou que em alguns casos alunas recorrem à violência como forma de serem respeitadas. "Mas assim são duplamente repreendidas: por utilizarem uma forma de agressão para resolver os conflitos e por serem meninas, portanto utilizando-se de algo considerado contrário à sua natureza", revela o estudioso.

No artigo "O fracasso escolar de meninos e meninas: articulações entre gênero e raça", publicado em 2003, a também professora da Feusp e estudiosa das relações de gênero Marília de Carvalho coletou informações sobre a cor atribuída às crianças da quarta série de uma escola fundamental de São Paulo, a partir de duas percepções: a dos professores e a dos próprios alunos. Após cruzar essas informações com o índice de aproveitamento de cada estudante, constatou-se uma tendência dos professores em "embranquecer" os melhores e "escurecer" os piores.

Não que as instituições de ensino sejam as principais responsáveis pela permanência ou não de práticas discriminatórias, mas elas são parte fundamental para o entendimento e aceitação da diferença. Para exercer a função de inserir os jovens no espaço público, que é aquele em que se dá (ou, ao menos, em que deveria se dar) a aceitação da diversidade, a escola precisa se colocar de maneira firme contra as práticas preconceituosas e discriminatórias. E isso pode começar pela compreensão das relações existentes nesse ambiente, mostrando suas fissuras e contradições. "O educador deve estar preparado afetiva e intelectualmente para interferir nas situações em que os conflitos emergem", afirma Luiz Alberto Gonçalves, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O problema é que, segundo Gonçalves, a introdução do tema da diversidade nas escolas ainda é algo recente no país e muitos professores não têm formação e conhecimento para mediar apropriadamente essas situações. Só a partir dos anos 90 as políticas educacionais, por força das demandas sociais, sobretudo dos grupos excluí­dos na sociedade, foram obrigadas a reconhecer que o ambiente escolar brasileiro é pluricultural e pluriétnico.

Cortando pela raiz
Para enfrentar esses problemas, atualmente o MEC oferece cursos de formação continuada trabalhando a temática da diversidade e colocou em vigor a Lei 10.369, de 2003, que torna obrigatória a inclusão do estudo das "Relações Étnico-Raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana". Só que Luiz Gonçalves entende que essas ações podem criar a expectativa de que basta introduzir mudanças no currículo escolar e o problema do preconceito estará resolvido. Para ele, é preciso mudar a postura do corpo docente frente aos conteúdos e às relações escolares, assim como é preciso haver um esforço para construir uma nova forma de fazer a educação escolar. Combater o preconceito pressupõe reconhecer o outro na sua diferença e esse reconhecimento começa no próprio docente. "Muitas crenças que foram difundidas pelos conteúdos tradicionais terão de ser questionadas e até banidas", fala.

Já Paulo Neves diz que não basta a escola desenvolver um trabalho para dias como o da consciência negra ou das mulheres se, no seu cotidiano, aqueles que pertencem a esses grupos são discriminados. Por isso, é importante elaborar um projeto político-pedagógico consistente, em que o estudo da temática esteja inserido tanto na sala de aula quanto nas horas de trabalho pedagógico coletivo. Entretanto, deve-se tomar cuidado para não haver exageros. Muitas discussões sobre as questões ou a excessiva criação de projetos acabam por prejudicar a consistência da reflexão dos envolvidos. "No fim, após passar pela escola, posso continuar acreditando nos preceitos de minha religião, por exemplo, mas não posso sair pensando que ela é a única e verdadeira", explica.

Cláudia Vianna, da USP: reconhecimento do conflito como ponto de partida
Cláudia Vianna compartilha a tese e entende que caminhar nessa direção requer o reconhecimento do conflito como pilar dos projetos coletivos. A partir daí, os professores podem promover a interação da diversidade, criando ambientes seguros para que eles e seus alunos possam questionar e refletir os valores hierarquizantes relacionados ao gênero, raça, classe social e idade, além de interferir na reprodução de estereótipos, sem medo do preconceito ou da exclusão. Vianna propõe também analisar com os alunos as atribuições e significados dominantes estudando-se os veículos da comunicação. De fato, a pesquisa da Fipe mostra que o incentivo ao acesso às mídias pode reduzir o preconceito observado entre os alunos em relação a todos os temas pesquisados.

Ainda assim, além da sala de aula, o preconceito deve ser encarado como um problema complexo, que atinge esferas diferentes. O diretor de Estudos e Acompanhamento das Vulnerabilidades do MEC, Daniel Ximenes, acredita que qualquer ato desse tipo deve ser combatido via educação, mas isso não é tarefa somente da escola. Instâncias como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal de Justiça também precisam denunciar e tomar posições. "No caso da escola, deve haver uma integração com os órgãos públicos e a comunidade ao seu redor, com iniciativas e diálogos sendo constantemente estimulados", completa.

Maus resultados
Um dos pontos mais polêmicos da pesquisa publicada pela Fipe indica que as ações discriminatórias são um fator importante para a qualidade no desempenho escolar dos alunos. Utilizando como base a Prova Brasil de 2007, chegou-se à conclusão de que existe uma correlação negativa sobre o conhecimento de ações discriminatórias e as médias dessa avaliação nas escolas. Ou seja, onde as ocorrências foram maiores, as notas tenderam a ser menores.

Paulo Neves diz que não há como medir as consequências dessas atitudes no longo prazo, mas se elas não forem rechaçadas, acabam se tornando legítimas e prejudicam não somente o ambiente e o desempenho escolar como a fase em que crianças e adolescentes estão construindo uma identidade. "Se não há uma atitude contrária, a postura é reforçada e um aluno pode entender que é normal ter o mesmo procedimento", fala.

A pesquisa mostra ainda que a ocorrência de agressões, simbólicas ou de fato, contra professores e funcionários é mais nociva ao desempenho escolar dos alunos do que onde essas ações ocorrem contra os próprios estudantes. O estudo comparou as escolas em que se tinha conhecimento desse tipo de ocorrência (designadas como bullying no estudo) contra os dois grupos, cotejando esse fator com o desempenho na Prova Brasil. A agressão contra professores e funcionários mostrou-se pior, revelando que, quando isso acontece, passa a haver uma maior desestruturação da instituição.

Luiz Gonçalves afirma que tal razão é evidente, pois os educadores sem boas condições psicológicas acabam comprometendo o conteúdo a ser ensinado. Isso também ajuda a confirmar a ideia de que o educador é um dos profissionais que mais apresentam estresse em decorrência do trabalho. Segundo dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), 30% dos afastamentos em escolas da rede pública do país são resultantes de estresse e depressão. Outra pesquisa, realizada em 2003 pelo Sindicato dos Professores de Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), apontou que a depressão atingia então um em cada quatro professores paulistas. Para 62,4% deles, a violência escolar era a causa.

fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12751. Acessado em 15.08.09.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Campanha discute pareceres dos programas de pior qualidade na TV

Karol Assunção *

"A população hoje não aceita mais qualquer lixo [na programação televisiva]". Essa é a opinião de Ricardo Moretzsohn, membro da executiva nacional da Campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania" como representante do Conselho Federal de Psicologia. Para ele, a sociedade brasileira amadureceu e não considera mais "que qualquer lixo é natural".

Prova disso são as mais de 30 mil manifestações recebidas pela Campanha durante os sete anos de atuação. Somente entre os meses de maio e setembro do ano passado, foram 1.500 denúncias fundamentadas. Neste ano, os pareceres do 16º Ranking da Baixaria na TV serão discutidos amanhã (14), a partir das 10h, através de videoconferência, que poderá ser acompanhada pelo portal do Interlegis (www.interlegis.gov.br).

Qualquer cidadão pode reclamar sobre o conteúdo da televisão brasileira pelo site da Campanha (www.eticanatv.org.br) ou pelo telefone 0800.619.619. Após a reclamação, a Campanha verifica de a denúncia realmente procede e, depois, o Conselho de Acompanhamento da Programação (CAP) - formado pessoas de organizações parceiras - assiste aos programas e produz pareceres informando se tal programa respeita ou não os direitos humanos. Os pareceres são votados na videoconferência e encaminhados para o Mistério Público Federal e Ministério da Justiça.

De acordo com Moretzsohn, as formas mais comuns de desrespeito aos direitos humanos registrados pela Campanha são: discriminação e preconceito racial, sexual, religioso e de pessoas com deficiência; estímulo à erotização infantil; exposição abusiva de crianças e adolescentes; e criminalização dos movimentos sociais.

Ele ressalta ainda que a intenção não é censurar as emissoras e os programas televisivos, mas apenas exercer um controle social. "Somos radicalmente contra a censura", destaca. O representante da Campanha afirma que o controle televisivo "é considerado como necessidade em vários países do mundo", sendo um exercício legítimo da cidadania. E o que ele percebe é que a população brasileira já não quer mais qualquer tipo de programação: "A sociedade amadureceu. Ainda é precária, mas saiu do estado letárgico de [considerar] que qualquer lixo é natural", comenta.

Para ele, ainda é preciso conscientizar de que realmente precisa monitorar a televisão para diminuir a baixaria na mídia. "No decorrer dos anos, a baixaria reduziu substancialmente", nota. Apesar disso, ele avalia que em algumas regiões, como Norte e Nordeste, por exemplo, o desrespeito aos direitos humanos continua. "Mesmo considerando que conteúdos diminuíram, em alguns pontos, eles insistem em continuar".

A Campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania" é uma iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e das organizações da sociedade civil formada, em 2002, a partir da VII Conferência Nacional de Direitos Humanos.

* Jornalistas da Adital

fonte: http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=40429. Acessado em 13.08.2009.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


No dia 28 de junho, o dia do orgulho LGBT, foi lançado na internet um blog chamado 30 ideias para ajudar a causa LGBT do seu jeito, que trazia, além das 30 sugestões do título, links úteis para a comunidade LGBT na defesa de seus direitos. A iniciativa de unir outros blogueiros e elaborar o que foi chamado, num primeiro momento, de “cartilha gay”, foi de Thiago Magalhães, que escreve, desde 2004, o blog Introspecthive.

Thiago queria encontrar uma forma de incentivar as pessoas, mais especialmente, o público leitor dos blogs gays, a sair da inércia e tomar atitudes construtivas em favor dos LGBT - ações simples e pontuais que pudessem gerar um impacto social positivo. A proposta se diferenciava daquelas associadas ao ativismo mais tradicional: não exigia que as pessoas fossem “militantes” ou tivessem um comprometimento político mais duradouro. Despretensioso no formato e no conteúdo, o projeto pretendia formular uma seqüência de sugestões bastante acessíveis, com as quais o público leitor dos blogs pudesse se identificar. Thiago explicou que sua intenção era “transformar palavras vagas e ideais abstratos em atos concretos, coisas que estejam ao alcance de cada um de nós, uma lista de medidas exequüíveis, palpáveis, realistas. Pequenas atitudes para cada um adotar no seu cotidiano, dentro de suas possibilidades individuais, que variam de uma pessoa para outra”.

Diante desse ponto de partida, Thiago reuniu outros cinco blogueiros - Cristiano Lins, Gustavo Miranda, Isadora França, Daniel Cassús e Jack Morais - que toparam o desafio de pensar juntos as sugestões e enriqueceram o projeto com suas experiências. Seguiu-se um mês de discussões, que foram desde a abordagem de temas sensíveis, como “pegação” e “drogas”, até a discussão do visual do blog (o logotipo final ilustra esta matéria). Houve apenas uma reunião presencial, que contou com a parte paulistana do grupo, e o resto foi discutido pela internet, com a troca de aproximadamente 400 mensagens eletrônicas.

Assim também se chegou à conclusão de que, apesar de o projeto não ser direcionado exclusivamente ao público leitor dos blogueiros em questão – que a princípio é pensado como um público majoritariamente masculino, de classes médias -, tampouco havia a ilusão de abranger todas as possibilidades dentro do universo de letrinhas LGBT. Mais do que isso, falar para todos ao mesmo tempo só resultaria num canhestro obscurecimento das diferenças dentro desse universo ou no risco de não se falar a ninguém, por ser algo tão genérico.

Nesse processo, também se chegou ao nome final do projeto - desvinculando-se do inicial “cartilha” - e à decisão de fazer um blog específico para sua divulgação. Além de a proposta ter sido gerada no âmbito da “blogosfera”, também se considerou o fato de que os blogs têm demonstrado o poder de amplificar informações no universo LGBT e colaborar para a rápida mobilização diante de questões específicas envolvendo o combate ao preconceito. Assim, o blog principal e a divulgação dos banners, que foram incorporados a outros blogs, seriam as principais ferramentas.

A recepção do resultado superou as expectativas. O 30ideias circulou por vários meios: após ganhar espaço nos próprios blogs, logo chegou às listas de ativistas, ao sites da mídia segmentada, a pessoas da área de saúde e a pesquisadores da área de gênero e sexualidade.

“Essa receptividade, na verdade, revela um amadurecimento no sentido de promover um contexto político em que a somatória de forças e estratégias é bem vinda no combate ao preconceito e à discriminação contra LGBT. O ativismo mais tradicional, que pressupõe a filiação a um grupo ou partido, é extremamente importante, mas isso não faz das iniciativas localizadas e cotidianas menos importantes. E tudo isso pode se conectar e andar junto. O projeto do blog 30 ideias para ajudar a causa LGBT do seu jeito faz parte dessa diversidade de estratégias em defesa dos direitos de LGBT”, analisa Isadora Lins França, responsável pelo blog Ingrediente Desviante.

Uma das 30 idéias citadas, por exemplo, é não rir das piadas de gays. Assim, a idéia é que todas as pessoas – mesmo não fazendo parte de grupos militantes ou não pertencendo à comunidade LGBT – possam contribuir à causa se manifestando contra tais comentários discriminatórios. O resultado de tudo pode ser acessado pelo link http://30ideias.blogspot.com. Os blogs que participaram do projeto são: Introspective (http://introspecthive.blogspot.com), Uomini (http://uomini.blogger.com.br), Ingrediente Desviante (http://ingredientedesviante.blogspot.com), Bota Dentro (http://www.botadentro.com), BHY (http://blogdobhy.blogspot.com) e Chato no Ar (http://chatonoar.blogspot.com).

No Rio de Janeiro, também em função do dia 28 de junho e do marco dos 40 anos da rebelião de Stonewall, foi lançado o blog Santa Diversidade, assim como os projetos acima citados, voltado para o debate sobre diversidade sexual e para o enfrentamento do preconceito e da discriminação a pessoas LGBT. O Santa Diversidade pode ser acessado pelo link http://santadiversidade.blogspot.com,

“Uma vez ouvi o antropólogo Peter Fry falar sobre a diferença entre ‘movimento’ e ‘movimentação’. Em sua análise, o movimento é o que milita e realiza um evento como as Paradas do Orgulho LGBT, enquanto o que ele chama de ‘movimentação’ são as milhares de pessoas que enchem os ônibus e o metrô para se deslocarem até o local destes eventos. Então, eu diria que o Santa Diversidade é um espaço virtual de informação voltado não somente para o movimento militante, mas especialmente para as pessoas que compõem a ‘movimentação’, sejam elas hetero ou homossexuais”, afirma o jornalista Washington Castilhos, editor do blog carioca.

fonte: http://www.clam.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=_BR&infoid=5722&sid=7

Editorial de Católicas pelo Direito de Decidir sobre o Dia Internacional da Juventude.




Um país com futuro?

Do Brasil, sempre se diz que é um país jovem, com uma população jovem. E que, por isso, somos um país do futuro. De fato, pessoas jovens somam cerca de 22% da população brasileira. Mas qual é o futuro que está reservado para cerca de 44 milhões de cidadãs e cidadãos brasileiros? Qual é a situação real e atual da nossa juventude?

Em primeiro lugar, os direitos básicos de jovens não estão sendo garantidos, nem respeitados. Estatísticas governamentais dizem que o acesso à educação é amplo, mas sabemos que isso não é realidade para milhares de jovens que estão nos segmentos mais empobrecidos da população. A educação pública e, em parte a privada, há muito deixa a desejar em termos de qualidade. Estamos formando pessoas preparadas para ter opiniões próprias e expressá-las? Estamos preparando jovens para se posicionar criticamente no mundo? Infelizmente, cremos que não.

Jovens são bombardeados/as pela mídia e induzidos/as a pensar que o "ter" importa mais que o "ser". São estimulados a consumir produtos e comportamentos que nem sempre lhes interessam, mas respondem a interesses de outra ordem, como os do mercado, em nosso sistema capitalista quase selvagem. E cruel. Porque se estimula a juventude a consumir, mas somente uma pequena parcela tem condições de fazê-lo. E de fazê-lo com consciência e escolha.

Muitos/as jovens têm deixado de estudar, ou têm estudado com sacrifício, pois necessitam, antes de mais nada, garantir a sobrevivência num mercado de trabalho competitivo e feroz, que reserva as melhores oportunidades para quem já têm... as melhores oportunidades. Sistema cruel, que sacrifica, em cada crise, primeiro jovens e mulheres. Será coincidência? Claro que não!

Segundo dados do IBGE relativos a março de 2009, por exemplo, a população mais jovem foi o segmento que mais sofreu com o desemprego gerado pela última crise mundial, especialmente os/as que têm menor tempo de estudo, porque o que se pede, sobretudo em momentos de crise, é experiência e qualificação. E essa lógica é perversa, justamente porque a experiência só se adquire trabalhando...

A desigualdade entre os gêneros também tem um peso forte, marcando as jovens de forma ainda mais perversa: elas têm em média mais tempo de estudos do que eles, mas têm menor possibilidade de obter trabalho. Quando conseguem emprego, normalmente seus salários serão inferiores aos de seus colegas homens. Enquanto isso, os homens jovens morrem precocemente de morte violenta, por acidente automobilístico e, principalmente, à bala. Ou seja, nessa nossa sociedade machista, ninguém ganha, todo mundo perde de alguma maneira com a desigualdade de gênero. E as marcas dessa desigualdade são sensíveis, trazendo graves conseqüências para moças e rapazes, que começam sua vida adulta já em desvantagem.

Em termos de saúde, a juventude brasileira também padece de forma peculiar. Isso porque, ainda pela forte desigualdade entre homens e mulheres existente no país, a saúde sexual e reprodutiva não é um direito garantido para essa população, o que traz graves conseqüências para ambos os sexos. As mulheres jovens vêm, cada vez mais, padecendo com doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a aids, e com gravidez não planejada e, na maioria das vezes, não desejada. Também são as mulheres jovens - sobretudo as pobres e negras - que morrem por abortamento clandestino e inseguro. Os homens jovens, por sua vez, desaparecem dos serviços de saúde ao saírem da adolescência e voltam a recorrer a eles apenas na terceira idade, normalmente com doenças graves, em estado avançado ou crônicas, como câncer de próstata, entre outras.

Isso sem falarmos em atitudes meramente punitivas ou que restringem a liberdade de jovens, mas não enfrentam verdadeiramente as causas de seus problemas, como as várias imposições de toque de recolher que têm assolado o país, impedindo jovens de sair às ruas após as dez horas da noite, ou ainda os movimentos pela diminuição da maioridade penal que, além de tudo, acabam responsabilizando jovens pela violência de que são vítimas.

Diante de tantas dificuldades, muitos/as jovens encontram apoio e esperança na religião. E aí encontram dificuldades de ordens diferentes, mas ainda acentuadamente marcadas pela desigualdade de gênero. Porque a juventude cristã, especialmente a católica, têm tido muita dificuldade em conciliar a sua fé e as prescrições religiosas com a vida moderna. Ao invés de serem vistos/as como pessoas sérias que podem fazer escolhas coerentes com liberdade e responsabilidade, enfrentam uma série de proibições difíceis de acatar. Mas que colocam em risco a vida e a dignidade delas e deles.

Dessa forma, a proibição católica do uso de camisinha e de outros preservativos, além do impedimento de fazer sexo antes do casamento, têm aumentado o risco para homens e mulheres jovens. A reificação da desigualdade de gênero - vale lembrar que na Igreja católica, mulheres não podem celebrar a eucaristia, não podem assumir cargos de poder e ainda são vistas apenas como seres capazes de procriar e servir à família - e o ônus maior que esse idéario impõe às mulheres só amplia as dificuldades vivenciadas pelas jovens.

Isso sem mencionar a homofobia da hierarquia católica, que reiteradamente vem se manifestando de forma agressiva contra a diversidade sexual, o que repercute fortemente na mídia e tem o poder de legitimar a intolerância e a violência contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis (LGBTT).

Jovens católicas/os, além de tudo, sofrem pela falta de espaços de discussão sobre sexualidade e pela tentativa de controlarem seus comportamentos, ao invés de tratá-los/as como pessoas que podem e devem fazer escolhas - informadas, refletidas, coerentes com os seus projetos de vida - e de tomar decisões importantes sobre diversas esferas de suas vidas.

Assim, constatamos que a hierarquia católica, ao invés de contribuir para que todos/as tenham vida - e para que seja uma vida plena e digna -, vem aprofundando os problemas que pessoas jovens encontram, deixando-as - no limite entre o dever e a hipocrisia - num abismo cada vez maior entre o que sentem e o que podem expressar.

Apesar disso, jovens se rebelam. Jovens reagem. Jovens enfrentam com coragem as adversidades e crêem que um mundo melhor é possível, um mundo que seja enfim justo e igualitário. Apesar de tudo, jovens se engajam, com garra, em movimentos sociais importantes e necessários, como os movimentos contra a pobreza, o racismo, o machismo e a destruição irresponsável e voraz da natureza. Apesar de tudo, jovens têm e nos dão esperança.

Católicas pelo Direito de Decidir vem a público, então, no Dia Internacional da Juventude, para expressar a sua solidariedade para com a juventude brasileira e, juntando-se a ela, exigir maior compromisso das autoridades - incluindo as eclesiais - para com as pessoas jovens. E é imprescindível que isso se dê sem tergiversações, sem desinformação, sem proibições absurdas. Vamos, de verdade, cuidar de nossos jovens? Vamos finalmente ser um país com futuro?

Católicas pelo Direito de Decidir


Leia também:

* CARTA CIRCULAR DE DOM PEDRO CASALDÁLIGA - na qual ele se posiciona claramente contra os fundamentalismos, a favor do diálogo inter-religioso e a plena igualdade da mulher na vida e nos ministérios da Igreja.

* Leia e baixe dossiê produzido por Católicas da Nicarágua sobre violência sexual (em espanhol)

* Deixem Jesus em paz - leia artigo de Juca Kfouri sobre o proselitismo religioso no futebol


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Foto: Reunião de estudantes no Centro Acadêmico do Curso de Gestão de Políticas Públicas/USP - Universidade de São Paulo, 2009.